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APLICAÇÕES DA TECNOLOGIA DE WORKFLOW

Quando uma organização começa  a considerar a oportunidade de uso da tecnologia de workflow, usualmente a tendência é de que a primeira indagação das pessoas se relacione a “qual é o melhor produto do mercado”?

Entretanto, esta é uma questão inadequada no inicio de um projeto desta natureza visto que, antes de tudo, o que deveria ser indagado é “que produto se configura mais apropriado para atender às necessidades específicas dos processos de  negócio objeto de reformulação”?

Tal postura se justifica visto que as inúmeras soluções disponibilizadas no mercado não são semelhantes, diferenciando-se em função do tipo de inovações em processos às quais estão associadas. Neste sentido, existe uma tendência em classificar as soluções de workflow em 4 categorias [2]:

     “sistemas ad hoc”, adequado para um processo executado uma única vez, cada pessoa atuando sobre o mesmo e “roteando-o” para o próximo agente interventor, tipicamente baseado em ferramentas de correio eletrônico. Um exemplo desta aplicação seria o recebimento de um documento no setor de atendimento ao cliente com a solicitação de fornecimento de um novo produto ou serviço. A área responsável poderia “scanear” o documento e endereçá-lo eletronicamente para o setor de desenvolvimento de novos produtos, no sentido de colher sua opinião a respeito. O mesmo procedimento seria repetido em relação a outros setores envolvidos, até ser finalmente devolvido ao setor de origem com todos os comentários a respeito do pedido do cliente;

     “sistemas de coordenação”, concebidos para facilitar ações de coordenação  de processos continuamente  desenvolvidos na empresa, onde pessoas ou grupos trabalham em colaboração para o atingimento de um determinado resultado. Um exemplo desta aplicação consiste num processo rotineiro de criação de uma peça publicitária, onde o conteúdo de um “folder” é especificado no setor A, em seguida as especificações são endereçadas ao setor B, o projeto do “folder” é encaminhado ao setor C para aprovação, se rejeitado volta ao setor B, se aprovado é encaminhado para o setor D, e assim por diante. O sistema permite ao gerente do processo especificar não só o seu fluxo, mas também as suas regras - rejeição/aprovação - que determinarão caminhos alternativos para o fluxo da informação;

    “sistemas administrativos”, concebidos para o roteamento inteligente de formulários através da organização. Tais formulários são baseados em textos e consistem de campos editáveis, sendo roteados automaticamente de acordo com o tipo de informação nele inserido. Em complementação, tais sistemas podem notificar as pessoas a respeito de quando uma determinada ação é executada, permitindo o gerenciamento de prazos críticos. Um exemplo de tal aplicação poderia ser um pedido de compra de materiais, tramitando entre diversos setores que vão passo a passo completando o preenchimento de informações no “documento eletrônico” até a conclusão do processo;

     “sistemas de produção”, concebidos para a automatização do fluxo de papéis na organização, transformando-os em “imagens” digitais. Tais sistemas estão estreitamente associados com a tecnologia de processamento de imagens, podendo envolver também o roteamento inteligente de formulários e o acesso a bancos de dados corporativos. Um exemplo clássico desta aplicação é o processamento  de reembolso de despesas médicas em empresas de seguro-saúde, onde a recepcionista da empresa, a partir de uma ligação telefônica ou contato pessoal,  busca no banco de dados de clientes os dados do segurado, recolhe a documentação complementar necessária, preenche formulário eletrônico e digitaliza os documentos, desencadeando o processo logo em seguida através de caminhos previamente roteados pelo sistema.

 Conforme sugerido pela WfMC (“Workflow Management Coalition”) [3], entidade sem fins de lucro criada em 1993 por cerca de 90 empresas e que tem por objetivo o desenvolvimento de padrões e terminologia para tecnologia de workflow, a escolha de uma dentre as alternativas de sistemas apresentados deve ser decorrente de um projeto organizacional, apoiado em metodologia que separe a análise do problema em dois momentos distintos:

 1.  numa primeira fase, denominada de definição do processo de negócio, são desenvolvidas as ações do tipo BPR ou BPI, já descritas anteriormente, tendo como resultado o projeto lógico do processo revisto. Esta fase geralmente se divide em duas etapas, a primeira consistindo no mapeamento do processo existente e a segunda no projeto do novo processo;

2.   numa segunda fase, denominada de automação do fluxo de trabalho, são desenvolvidas as ações de construção da aplicação de workflow, implementação do processo automatizado com o treinamento em paralelo das pessoas envolvidas, e acompanhamento e gerenciamento da aplicação.

 Em paralelo ao desenvolvimento da fase 1 do projeto, juntamente com a concepção do novo  processo, deve-se proceder à escolha do fornecedor da tecnologia de workflow  que suportará a automação na fase seguinte.

 Alguns cuidados básicos adicionais  que devem ser tomados na condução de um projeto de automação de processos são:

  •  não automatize um processo sem uma análise prévia do mesmo. Informatizar um processo ruim simplesmente significa que você estará trabalhando errado de forma mais veloz;

  •  para começar escolha um processo que já esteja, ou possa estar, claramente definido em termos de regras de funcionamento;

  • o investimento em tecnologias de workflow, para apresentar retorno, deve estar  direcionado para processos de negócio, com relação estreita e significativa com a missão, objetivos e resultados da empresa;

  • o fator humano é fundamental para o sucesso de um projeto de workflow, assim o envolvimento e capacitação  dos quadros da organização deve ser considerado como item essencial;

  •  o investimento em projetos de automação de processos não compreende somente a aquisição de equipamentos, software e redes de comunicação. Ao cotar preços, solicite ao fornecedor dados explícitos sobre os custos de treinamento de pessoal e de assessoria ao desenvolvimento e implementação do produto. Devemos lembrar que a tecnologia de workflow ainda é relativamente nova no mercado, não havendo portanto suficiente “expertise” nos quadros internos para condução do projeto sem a ajuda de terceiros;

  •  o fornecedor da tecnologia deve ser cuidadosamente avaliado, em termos de experiência com o produto e estrutura para o  atendimento pós-venda;

  •  a tecnologia oferecida deve ser cuidadosamente  avaliada, em termos de seu estágio de maturidade perspectivas de evolução e interoperabilidade com ambientes de operação consagrados no mercado.


REFERÊNCIAS

[1] Criação de Conhecimento na Empresa

  • Nonaka & Takeuchi

  • Editora Campus

[2] Workflow: Applying Automation to Group Processes, in Groupware

  • Ronni T. Marshak, Patricia Seybold Group

  • in Groupware: Collaborative Strategies for Corporate LANs and Intranets

  • David Coleman

  • Prentice Hall PTR

[3] The Workflow Management Coalition

  •  http://www.aiim.org/wfmc/

  •  http://www.wfmc.org

 [4]  Aperfeiçoando Processos Empresariais

  •  H. James Harrington -  Makron  Books

 [5] Action Technologies Inc.

  • http://www.actiontech.com/

 [6] Keyfile Corporation

  • http://www.keyfile.com

 [7] Optika Imaging Systems

  • http://www.optika.com

 [8] Staffware plc

  • http://www.staffware.com

[9] New Tools for New Times: The Workflow Paradigm, Second Edition

  • Edited by Layna Fischer

  • Futures Strategies Inc., Book Division - 1995

 [10] Workflow And Reengineering International Association

  • http://www.waria.com/

 [11] Computer-Supported Cooperative Work

  • http://www.crew.umich.edu/~brinck/cscw.html

 
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