Realidades Percebidas e Tendências a serem Verificadas
No universo corporativo, as principais realidades
e tendências na análise da compra de tecnologia podem
ser sentidas:
- Integração
formal de TI com Estratégia Corporativa (trazendo
a necessidade de adequação dos modelos do tipo BSC
para suporte a esta mudança);
- Intensificação
da cobrança formal por retornos e satisfação a CFOs,
CEOs e até acionistas
- Governança
de TI na ordem do dia, associada à mudança no modelo
de budgeting, ou seja, quase uma sociedade/co-investimento
entre as áreas de TI (CIO/CTO) e as áreas de negócios
(MKT, RH, Finanças, etc) no desenvolvimento e operação
de sistemas, softwares e aplicativos. Com isso, haverá
redução de budget exclusivo de TI (CIO/CTO), principalmente
para software, pois haverá divisão deste budget (e
de sua convocatória e priorização) com as áreas internas
cliente nas empresas;
- Tecnologia
da Informação vista como Processo Corporativo;
- Busca
por redução de custos, principalmente de compra de
TI e de h/h de serviços;
- Digitalização
e automação de tudo que é possível em processos e
fluxos corporativos;
- Redução
das filas internas de projetos e necessidade de melhor
e mais veloz atendimento aos usuários internos;
- Redução
do nível de refação e falta de qualidade nos projetos
(escopo, prazos, usos);
- Aumento
do índice de terceirização de desenvolvimento e de
equipes de desenvolvimento de TI (headcounts);
- Importância
do aumento da usabilidade e amigabilidade de sistemas
e softwares ao usuário final, como caráter chave na
seleção/desenvolvimento de tecnologias;
- Busca
pela mobilidade tecnológica nos processos corporativos;
- Foco
em integração e aproveitamento máximo das tecnologias
existentes e sistemas legados;
- Parcerias
e eficiência operacional: integração das cadeias de
valor e fornecimento, considerando também micro e
pequenas empresas (inclusão empresarial);
- Foco
em qualidade de dados, informações, conhecimento gerando
investimentos em sistemas e processos de captura,
beneficiamento, disseminação dessa informação (investimento
em sistemas de informação do tipo CRM, KM, BI, etc);
- Adoção
de modelos de gestão e garantia de qualidade de desenvolvimento
de tecnologia (tipo CMM);
- Organização
da gestão (e budget) por projetos (tipo PMI);
- Busca
do controle de riscos e segurança (ex: adoção de SLA,
SLM, etc);
- Infra-estrutura flexível, software como serviço -
on demand;
- Hardware
visto como algo que pode ser trocado a qualquer momento
e não necessariamente imobilizado (vide TCO);
- Adoção
de modelos modernos de desenvolvimento tecnológico,
com controle de ciclos e etapas, do tipo RUP e XP;
- Busca
pela independência tecnológica, focada na interoperabilidade
tecnológica total, ou seja, "não importa a tecnologia,
a marca ou a empresa, ou ainda se o padrão é aberto
ou fechado, desde que seja capaz de interoperar com
outras tecnologias, tenha nível de serviço e suporte
adequados, perenidade, upgrades constantes, equipe
de especialistas, desenvolvedores e canais disponíveis
no mercado e eu tenha acesso às fontes e consiga evoluir
o sistema por mim mesmo, se assim preferir";
- Valorização
da componentização de aplicativos e da adoção de
WebServices - distribuição centralizada de aplicativos
em rede, com reusabilidade, customização e economia;
- Mudança
do modelo tradicional de compra de tecnologia - de
licenças e custos fixos para compra de know-how e
custos variáveis, on demand;
- Integração
e convergência de mídias e padrões, ou seja, de dispositivos
a formatos (voz, dados, etc).
A equação conjuntural que mudará a
cara do mercado
De um lado, usuários ganhando poder, budgets sendo diluídos,
necessidade de velocidade e qualidade de desenvolvimento
de aplicativos para acompanhamento da velocidade da demanda
pelos mercados e negócios, padrões perdendo relevância,
interoperabilidade na ordem do dia, mudança radical no
modelo de compra de software, evolução nos níveis de adoção
de padrões abertos, evolução dos modelos de integração
e convergência de dados, mídias e formatos, etc...
De outro lado, pressão por redução de custos, cobrança
de acionistas por resultados, métricas de medição de resultados
impostas, redução de investimentos em TI, busca pela maximização
de ativos existentes, foco em integração e serviços, altas
filas de projetos parados ou em desenvolvimento, falta
de qualidade, altos índices de refação, altos custos de
certificação em qualidade, gestão ineficaz de áreas e
equipes, tecnologias compradas sub ou mal aproveitadas,
foco migrado para gestão por projetos (com resultados
mensuráveis), terceirizações na ordem do dia, TI como
processo corporativo ganhando importância estratégica.
A solução: transferir os custos de modelagem
e parametrização dos sistemas aos usuários finais.
Por quê? Além dos motivos citados acima, podemos
verificar enorme saturação em compras de TI atualmente
nas grandes empresas, o que traz valor marginal a novas
compras e investimentos e, portanto, rendimentos decrescentes
com a adoção de mais do mesmo (é claro que esta análise
não serve para tecnologias de ruptura do tipo break-throughs).
Como: Self Technologies, ou seja, o usuário
final (o profissional de marketing, finanças, RH, jurídico,
etc), passará a modelar e parametrizar seus aplicativos
(nível cliente ou 3ª. Camada) diretamente nos sistemas
tecnológicos. E como o usuário faz isso? Digitando (ou
mesmo falando) em sua língua nativa (portanto não em códigos)
os parâmetros de seu aplicativo e simulando, testando,
usando.
Vantagens: nitidamente veremos
o desafogamento das áreas de TI, redução das filas, redução
dos custos de falta de qualidade e erros, maior adequação
do escopo de negócios do aplicativo/software às demandas
do usuário
Fato Relevante I: acaba quase
que por completa a necessidade de desenvolvedores de camada
cliente, pois este custo é transferido ao usuário, que
se torna o desenvolvedor.
Fato Relevante II:
aumenta a importância de integradores de processos e tecnologias
e dos desenvolvedores de plataforma baixa, bem como de
experts em interoperabilidade de plataformas e, principalmente,
de arquitetos de ambiente e sistemas, responsáveis por
modelar as plataformas tecnológicas de desenvolvimento
e serviço dos aplicativos do tipo "Self Technologies".
Prazo: inevitável em oito anos. Viabilidade Comercial
em 12 anos. Acreditamos que, atualmente, a pendência que
impede este caminho de ser mais rápido é mais política
e lobbista do que tecnológica e potencial de fato. |